Porto Alegre Cycle Chic entrevista: as charmosas Fer e Nina

Quem vê a Fernanda Rozados pedalando de salto alto, livre e leve entre os carros, pelas ruas de Porto Alegre, imagina que ela é uma ciclista de longa data. Na verdade, a bici é mais um dos ingredientes de uma mudança um tanto recente em sua vida, mas que já mostra sucesso garantido.

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Há alguns anos, a Fer e sua mãe se animaram com a ideia de comprar uma bicicleta para a nossa entrevistada, que, então, estava bem acima do peso ideal. Ela só conseguiu pedalar por uma quadra, e retornou para casa cansada e triste, sentindo que jamais poderia usar a bike novamente.

Esse episódio, entre outros fatores relacionados à saúde, fez a Fer tomar a decisão bem séria de se submeter a uma cirurgia de estômago em 2011, fato que ela conta correndo, como se fosse um detalhe, para a gente voltar logo ao que interessa: a bicicleta.

Quando já estava se adaptando à vida nova, caprichando na dieta, correndo com frequência, com um peso superlegal, alguns amigos – entre eles, a querida Isadora, que sempre incentivou o uso da magrela, o aventureiro Alonso, companheiro de viagens, e a especialista Lívia, um exemplo ciclista – começaram a convidá-la para pedalar, tentar de novo, que, com certeza, dessa vez a experiência seria outra.

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E todos estavam certos. A Fer pegou novamente a antiga bike e não parou mais de pedalar. Começou se interessando por passeios e atividades esportivas, e até participou do Audax 200, em Março desse ano. Então, as amizades foram se ampliando e ela conheceu um pessoal que também usa a bici na cidade. E foi aí que não teve mais jeito: o pedal passou a ocupar uma parcela ainda mais significativa em seus dias.

Há mais ou menos um ano, comprou uma bicicleta single speed, carinhosamente chamada de Nina, que logo foi transformada em fixa, e é com ela que essa charmosa ciclista conquista muitos olhares enquanto roda por aí. “O pessoal conversa comigo quando paro na sinaleira, elogia, conta histórias, faz perguntas”.

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Hoje em dia, a Fernanda, que é gerente em uma loja no bairro Bela Vista – um trabalho que adora e também fez parte das mudanças para uma vida com mais qualidade – utiliza seu carro apenas em algumas ocasiões. “Acho legal para viajar com os amigos, quebrar um galho para outros e ir para o trabalho em dias de chuva; como preciso manter uma boa apresentação no meu cargo, fica um pouco complicado ir tão exposta”, conta, enquanto lembra que pode ficar até seis dias sem tirar o carro da garagem. Mas devido a custos e conversas com seu pai, até pensa em vender o automóvel algum dia, e diz admirar muito amigos que têm a bici como único veículo.

Com toda essa experiência multimodal, perguntei para ela quais são os maiores desafios para pedalar nas ruas de PoA, na sua opinião. Ela citou o desenho geográfico da cidade, mas como algo contornável, os buracos nos asfaltos, que pouco são sentidos pelos carros, mas que literalmente sacodem os ciclistas, e, infelizmente, como fator mais forte, a má educação no trânsito, espaço que os motoristas ainda não estão preparados para dividir com outros modais. Acredita que falta investimento do governo para criar campanhas educativas, melhorar o transporte público e conscientizar sobre o uso de outros meios de transporte além dos carros, em especial para curtas distâncias. Ainda lembrou que ainda não existem bicicletários seguros e adequados, mas que o número crescente de ciclistas pode vir a incentivar estabelecimentos e a prefeitura a criar esses espaços.

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Dificuldades à parte, continuamos conversando sobre as delícias de pedalar, e a Fer contou que toda relação dela com o espaço público mudou após passar a usar a bicicleta no dia-a-dia. Ela diz perceber detalhes que jamais veria de carro, conhecer as pessoas da vizinhança, hábitos de cada rua, e também que perdeu um medo constante que tinha quando estava dirigindo e se preocupava com assaltos, violência ou roubos. Que, com a bici, participa até de pedaladas na madrugada, uma experiência muito linda e divertida que todos deveriam experimentar, segundo ela.

Vendo-a tão elegante, de vestidinho de renda, perguntei se, em geral, ela pedala naquele estilo. Ela disse que sim, mas que gosta mesmo é de colocar uma bermuda, uma camiseta e um tênis e se perder pela cidade. E deixou uma mensagem bem bacana para a gente: “É muito fácil arrumar desculpas pra tudo, mas quando a gente quer algo de verdade, não existem limites”. Importante lembrar, não é mesmo? E com esse sorrisão, não vamos esquecer mesmo desse recado.

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Sobre Deb Dorneles

Em meus diferentes momentos de sentir, gosto de recortar a realidade, abrir pequenas janelas para o que vejo, e fechar portas para o que quero deixar lá fora. Percebo algo muito natural e delicado no que observo, e faço registros desses olhares externos para que reflitam o que se passa internamente. Há um tempo passando, há vida acontecendo, há uma perecividade de que fugimos, e as fotografias podem nos fazer escapar disso, congelando, protegendo, iludindo. Ou servir de lembretes de nossa mortalidade, interpretando, revelando, expondo, como em um sonho bom ou nem tanto. Gosto de brincar com essas forças e provocar a mim mesma com suas diferentes possibilidades. Faço imagens para que entretenham-me e não me deixem esquecer. Embelezo a angústia e simplifico a alegria, assim continuo respirando, avançando, sendo. ♕
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